quarta-feira, 13 de abril de 2011

EVA


Houve trevas sobre a terra...
Nós, imbuídos em fatos, navegávamos em fronhas cortantes.
À espera sentenciamos  o armário em outro ano.
Meu dia era quase nada parecido como
uma meia lua.
Meus pés governavam meus sítios cortantes
como  o enfado as rosas murcharam nos meus cabelos intactos.

Minha presença circunvalou os anos de minha ausência sobre a terra.
Imito a dor que me consumiu na hora do almoço.
Parte de minhas voltas sobre a lua
foram caveiras inglórias.
O mestiço das estrelas terrenas sem meu amor infinito.

Permaneci coalhada na face dos abismos.
Nem na sega de minha alma meu pai me chamou.
Era um brilho que nascia de meu maior amor por ele.
Sem notar
que os filhos de meu pai se tornavam minhas unhas,
meus humores,
a curva dos seis senhores navegadores de meu frio.

E  a alma carregada de neve
foi nascer um hino.
Na prisão das minhas pernas, meu filho,
foi meu primeiro assombro,
depois outros. Depois?
Outros.
Outras.
Outros.

Enfim,  o mundo
que se esquecerá de mim
na longa genealogia dos homens.
Longas pisadas nas flores e na água,
que custaram meus cabelos e minha fronte.
Na fonte em que me banhei
e se evaporou,
como nas velhas histórias antes do amanhecer
e que ninguém mais as contou.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

MENÇÃO HONROSA


-Ele é torcedor de que time? Você sabe? Roberto?
-Acho que são-paulino, Marly,  péssima escolha, não?
-Veja que o time tem influência nas fases da lua. Vocês dois já ouviram esta?Ouvi dizer que ser corinthiano mexe com a libido...olha, São Jorge. .. São Paulo era guerreiro antes de ser recrutado pelos cristão. Já o Jorge sempre foi caçador de dragões. E São Paulo começou a ser subalterno dos cristãos...
-É verdade, Porto...
-Sim, é verdade...
...
-Aliás gemer sem sentir dor é algo assustador, não? Vocês homens são loucos para conquistar coisas que são inúteis
-Concordo, não como homem, mas como ser humano.
-Concordo com Roberto, mas pela estrutura física do que reluz na hora H se torna energia...
-Energia? Você já experimentou Toddy?
-Toddy? É um achocolatado,não?
-Prefiro Nescau, café.
- Café dá mau hálito e amarela os dentes......
...
-Voltando a te elogiar, quando fez o PHd em Oakley, Marly?Acho que no mesmo ano que o Porto Venkosky fez o mestrado em Votuporanda, não?
-Votuporanga. E fiz doutorado em Machassussetts. Depois de 90, mais precisamente em 1991.
-Em 1992, que tempo legal, Olimpíada de Barcelona, eu estava por lá
-Eu também, depois da Superconferência de Lisboa, dei uma esticadinha. Falávamos de quê?
-Do seu doutorado.
-Meu doutorado? Foi chato a parte de História da Arte. Árido, árido..... tudo que eu não queria aconteceu... mas conheci  o Gerald, e tivemos o Ronald por lá... em New Hampshire...
-Que chato(olhando para ela...) Digo, chato a aridez...
...
-É evidente que ele é são-paulino. São Paulo e aquela baboseira do Amor...
-Não acho.
-Iden. Não acho, acredito em amor. Só que com a mulher certa e na hora certa.
-Mas por outro lado o amor faz bem para a pele...
-Pele?
-É, pele. Não acredito no que vejo? No meu celular mensagem para pagar o serviço que nunca utilizei, porra!...
-Mas sua operadora é a melhor.
-Só porque vocês têm  a mesma operadora. A minha não aceita que paguemos fora da data. Nem antes, nem depois... estipulada. E como a vida de hoje em dia precisamos do celular, não?
-É verdade.
-Mas a tarifa é debitada na sua conta, não?
-Sim...
-Aliás este botãozinho do meu celular, nunca compreendi para que serve. Que você acha, Marly?
-Deixaeuver... este sei, este sei, este sei,mas... é verde, não sei...-SEI LÁ! O que você acha, Porto?
 -Dele, o autor ser são-paulino?
-Autor de quê?
-Do quadro, oras.
-Hummm...
-Hummm...
-Acho que eu premiaria  ele se fosse palmeirense. Taí, palmeirense, sim. São-paulino, necas de pitibiriba...
-Vendo por este lado... E se for corinthiano?
-Menção  honrosa.
-Certíssio, Marly!
-Esse Porto vai longe!APOIADO!!
                                                                                                      

MILHAZES





Milhazes de passos apertadores pedínculos
Libertadores dos macarrõezinhos de outra leva.
Outros craniocolas pessimistas que nasceriam pedinteados
Sem pentes. Serpentes de milhões de coturnos, envoltos
Em alfazemasestacionados. Na degola
Dos causídicos membros
Do oratório
Da vigílianardegas
Improváveis.
Meretriciado
Entre o cansaço e o tonismo acobreado.
Peçasde dedosinhos  docicados  no noturno
Do imporvável queda de pressão-despótico-nascituro.

Reprimindo as forçasas naturezas do dano inicial.
Acoberta  a  xotazinha dos olhos babentos.

E se tornarão filosofias na furadísca da estatística
Na fossa plena dos plenos podreres.
Irmanando sogros e capitães

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

APNÉIAS



Minhas apnéias.
E  de todos os dias maus
refletidos
numa noite espessa, indigesta,
igual.

E outro dia que se forma
no meio de maio.

( um filho que se transborda
pela manhã...)

Fabricar palavras sem a correspondência,
vida de cenários, nada de relicários mágicos.

A temporada de caça às
palavras
começa prematura,
sonolenta agrura:
soníferas estrutura.

Ilha
escura. Pilhas vazias,
gruas sem o riso.
Penumbra

Os atos do meio-dia
formam esta sangria
em  sono.

ARCANO XIII

Luto. A noite veste seu manto negro sem estrelas.
Cessem todas as canções, silenciem os pássaros, menos as corujas.
Estão murchas as rosas, os girassóis e as sempre vivas.
Tragam os cravos, os crisântemos e os misosótis.
Tragam um padre, as velas , um caixão e as carpideiras, pois eu morri.
Não chamem os amigos, que estão todos ocupados.
Deixem os colegas de trabalho, precisam do emprego.
Não chamem a família, não há ninguém em casa.
Ao meu lado, só o meu assassino que é meu amor.
Sou luto vivo, morta ambulante que não pereceu pelo aço
mas consumiu-se pelo fogo.
Sou fênix ainda cinzas, sem corpo nem asas.
Ceifada, aguardo a reunião dos pedaços no caos que gera outra de mim.
Agradeço a minha Judas, disfarçada de carne e sangue,
revelada pelo meu amor, assassino da minha surrealidade.
Recalcitrante, reluto, mas agora, o tempo não mais era nem foi.
O tempo, agora, é depois.

 POEMA-YNDIARA MACEDO