terça-feira, 5 de maio de 2009

Bebedor de H2O- diuréticos+poesia

METÁFORAS DE DENTRO UMA PESQUISA DE SABER QUE TUDO REINA DEVAGAR NO OCIDENTE OU ORIENTE DE CADA POETA

Penso quando escrevo que a metáfora mete fora todos os medos. O sensível vem. Reinvindicar uma estrutura que quero contar, ou cantar. Depois a correção. Depois os maneios da razão vem alicerçar o poema.

Ele liberta-se como um cão com fome. Somos atores, mais ou menos. Somos todos leitores de nós mesmos… Pássaros que dialogam com bocas que falam. Um ouvido na multidão escuta. A intolerável solidão do grau- zero da escrita.

É natural para mim o versejamento. O transbordamento do uso da palavra nem atende a precisão de um vocábulo. Absurdo, comento, a meu ver, que as pessoas levem para casa livros. E os livros levem para o espaço as cobertas, urnas mortuárias de outros. Estes outros os poetas que fizeram palavras mais belas (como nos aponta Drummond) e iludindo chegam sem corpos ao zênite…

Tive a nítida confiança quando estudei Baudelaire e sua pluripenetração entre os sentidos. O olho que ouve, a pele que mira. O ouvido gosta de provar, a boca permanece assim presa à liberdade de esperar a hora de tocar. Não acordeões, mas a pele de uma criança, de um cipreste, de uma lembrança.

Me desempenha ainda um papel interessante o poeta Carlos Pessoa Rosa, ao me avistar e bisbilhotar meus poemas, quando ele me disse que precisava de uma visão global, de uma atitude de construtor. Não do engenheiro de João Cabral- que deveria ser mais arquiteto que o empilhador de tijolos. Uma atuação que devia desaguar no oceano da precisão das palavras. Fi - lo. Porque deveria e era oportuno. A concepção da obra como construção amoldada pelo pouco de loucura que tínhamos em mente e que agora se transfigura em arte.

A arte de poetar refere-se a uma louca escapada pelos tendões do mundo que não cansa de ser cruel. De ser visceral. Quem me acompanha na lida de presenciar o louco órfico homem que repete trinta vezes que “a mosca não é elefante, mas mato – a, e é interessante….”. Imaginaram se poesia e loucura fossem antípodas. Só a conta bancária sussurrada pelo bancário faria a música necessária para os custos da chuva…

Rilke e seus anjos- gostava disso, até que matei um com uma pedrada na auréola. Depois desisti, porque me falavam que eles, anjos, eram a o espírito das pedras. Eles que tanto me pescaram, desigual, que me penetraram nos pensamentos e me fizeram ver coisas cujas asas não cansavam de mostrar.

Estou disposto em rever a estrutura das palavras naquilo que liberta de enxurrada de procustos. Amoldando a visão do mundo na forma suscetível de ser contramão.

As imagens- não preciso falar muito da minha satisfação em tê - las na algibeira. Peco se minto que não são verdadeiras. Mais que as verdades. O dedo do pintor, desenhista consegue vislumbrá – las do chão, onde nascem. Germinação de prosódias e legumes, lentos em todo o caso? Como com gosto: frutas frescas.

Manuel de Barros e as coisas que são tão ínfimas que se miram de microscópios translúcidos. É verdade que se atiram pérolas aos porcos. Não se conta que comemos os porcos, depois. Em salaminhos de pequenos poetas que sabem o que resolvem. Senão nascerão outra vez poetas, e outra vez poetas, e outr…

domingo, 3 de maio de 2009

PALAVRA À PALAVRA

morrer não pensa a palavra
desemboca na boca do olho
passagem do infortúnio
minúncias da vida que evola
palavra come palavra
e despe a situação inconsútil
palavra consome palavra
e rouba no nada o inútil

sexta-feira, 1 de maio de 2009

BAILARINA

BAILA- A - BAILARINA

baila-a – bailarina-
no ar- que me empurra- no – ritmo - da sua espuma-

- sem borracha- sobra-calada- seus pezinhos- seu
- ar de se intrigar
- como uma bailarina-
- tão elástica-
- cheia de ar
- tem em certas partes
- gosto- de
- suco de uva-

Pôr - de - sol

DESPEDIDA DE SEU ZÉ

Os olhares pouco a pouco nascem.
Deságuam, devagar, entre os portões que machucam as cabeças.
As flores que vão à frente dos caixões
Pedem que não mais sejam regadas.
A natureza que rouba da água a vida intensa,
Renega que a vida se torne uma ofensa.
Sorrimos se o céu nos acompanha,
Tristeza, choramos se a noite vem...

Nesta dor intensa,
A memória nos acompanha e o nome na memória
Redescobre que nós estamos numa onda, e que, breve,
Será algo desumano não frutificarmos mais.
O sonho? A alegria? A pena?
Tornam – se causa dos recantos sem ser ancho.
Notamos mais se divulgarem fotos de crianças
Que nunca escaparam do infortúnio adulto.

Sorrimos caso as horas nos obriguem a chorar. E lá
No alto dos campanários
Os sinos se põem a rufar.

E na noite, no dia H,
Podemos tomar algo além da água, do café.
Porque a tristeza de quem parte
É a mesma de quem fica só de pé.