sábado, 30 de maio de 2009
terça-feira, 26 de maio de 2009
ANIVERSÁRIO
na velocidade dos anos
uma árvore recomeça a nascer
dentro de você
ela nasce em copas
e flutua na lisura dos espaços
sempre à procura do vento
e este nascido do tempo
corrói o volume calmo
até serem novamente segredos
uma árvore recomeça a nascer
dentro de você
ela nasce em copas
e flutua na lisura dos espaços
sempre à procura do vento
e este nascido do tempo
corrói o volume calmo
até serem novamente segredos
quinta-feira, 21 de maio de 2009
A Antonin Artaud
A-A-Antonum nart
Art-Arturde
Depois
De-Depois
De tudo
Dúplo
E seu du-du-plo
vi-lento
na flor
que via le- le- nto
Não, caro cavalheiro,
Quero que Deus, este depois de Zeus, vá à merda!
Que escondamos o nossos rostos das cavalgadas dos mares insanos.
Depois que tudo, proposto, cubramos o seu rosto com ares. Com os ares destes corpos em guanos... E que vocês que a criaram vão à guerra desamar!
Quem fugiu? Eu não, abri a respiração para entoar canção nenhuma. Canção esta que vá achar uma música à existência de plantão...
Eu, nós somos o duplo de Artaud. Não confundam o duplo com o manejo da carta que dá seu retorno, mas
O mar que com suas águas regadas. Cagadas.
Faço fogo.
Eu lhes digo, sou e não sou. Estou no tempo de colher. Abandonado, nasci em meio ao que dizem. Vivi o que disse. Morrerei com sapatos em minhas mãos.
Quero andar. Não refletir,as entranhas ao lodo.Sentir os pregos de Jesus no ar. E depois me ritualizar em uma congregação de sangue, senti-me mais natural que um velho índio, ou uma esfinge que fingindo deu a Édipo um pepino a mais para fazer soar sua salada de pepinos....
Eu sou o Antonin Artaud! Que me neguem, quer me sigam, quer me quebrem posso neutralizar as porradas quando fui com minha bengala de Sait Patric, na Irlanda. O policia me bateu e eu o arrebentei suas nádegas com um bom chute.
Encomendas dos breves e ser, antes de mais nada. Palavra. Ser. Breve semínima no lugar de você! Mais hospício para me reencontrar. Me esquecer, me renaufragar...
Do ovo mágico, constante em ternos brancos. Outra.... vez.... o choque, elétrico no cérebro...:
Meus ouvido esquerdo não ouvindo
O direito a roubar o sono incentivo dos vivos.
Eu mais vivo ou menos morto confluo o brilho de minhas pernas. E os brancos desses que me abominam confluem para outros o meu globo.
Sou Artaud. Em face disso inauguro meu ar de mares e de centopéias, do que aprendi com velhos índios novos os Tamahuaras. Depois a fome de uma Europa que me viu ao léu e me fez célebre.
( que adianta ser celebridades e me confiscaram a paz de escrever nove mil linhas e um dia que jamais nascia?)
Hoje como duas vezes ao dia.
O teatro é um peso em minhas pernas de vigas sólidas ao vento. O coração é a palpitação do meu duplo. Poemas que vem, poemas que vão. Anuncio que o teatro será muito
à mis amici que esta visão de piolhos que um infestam a cabeça do moço.
A moça que de antemão colore os poemas serão meus irmãos...
Sou Artaud, e me escondo das palavras.
Nada dizem , no meu teatro de crueldade o que retornam na sombras do duplo: são coisas. Não a voz ímpia que derrubava nações. São a voz dos cometas que não assassinam com arte. Músicas da minha voz algo fátuo,
Que se tornaram culpas. Desculpas de quem não prossegue.. Alvoroço dos atores que tingiram de ocres antes de sua invenção. São os atores que vivem o duplo de nascer e, ora tortos, ora morrendo na peste, ora cobrindo os olhos com lápis - lazuli, verde e vermelho. Somos nós que vivemos ainda mais do que viveram as personagens que morremos. E nascemos. E morremos, etc.
E o teatro será cruel a quem sabe que não existe crueldade maior do que
A realidade...
Rombos nos bancos de eminha memória alheio às vozes que escaparam em viver. Duplo, que me tragam as milícias da metafísica, na ordem em que são chamadas além da física. Na parada breve que alçamos ver, além, do ar que nos despimos. Basta ver as fuligens. E daí anoitecer na cremação dos corpos que não deixam perdão.
Meu teatro da crueldade permanece se queremos vivê – lo na foz
Do fogo
Que neutraliza o amanhecer de qualquer um.
O duplo. Não o sabeis?
São vocês que nada sabem. E, por isso, custam a nascer...
Quem não nascer de novo ao ver uma obra minha, custará entender o que a sombra disse para o coelho: Você terá nova amada, no canto correto, da idiotice armada, com seu prolífico cu no teto...
Hahahahahhahah, Sou Artaud, não ataúde. Revenho refamigerar o corno no ar.
Em uma postura nova, em nova atitude.
E depois de purificado, nunca amar. Eis aplenitude
E a solidão da minha estância circunavega os olhos, na proporção dos homens que em mim navegam.
Com fogo. Neste ar.
Este ar, que nasceu ontem do genial Vincent van Gog. Já falei muito meu irmão, van Gogh. Quero que você diga na arma que empunharam no seu corpo a bala, que não era bala de coco, ou de amendoim, e sim, de um calibre mais grosso que a tentação de pintar eu senti. O seu fim. Que é o começo. Meu irmão. Que não se despediu de mim...Que fixem os olhos na tua razão e depois movam –nos para a particular destruição... teus quadros dão à mão as razões de sentir de mais, de sentir de mais, meu vulcão em erupção...
Nãontonin ART....ART... tô, que venham os nebulosos cavalos sem asas, sem texto, meu irmão, minha irmã. Para configurar o peso de nascer e coabitar no Oriente do Ocidente, então.
Depois desenvolver com cordas nos pescoços o que é intermitente, o que é sóbrio, o que é novo, além do abandonou mil e umas formas de fornicar o sonho que é o duplo desse ar.
E navegar ondas de gente impressos em correntes neste duro mar.
Sou Artaud, e quero nada. Se fizessem o que lhes digo vocês que nos ouvem, divagariam mais minhas sobras. E teriam tempo em me financiar.
Artaud.
Art. Vin/nim/bagh/ há
Com ou sem pustra devecação
Incolor… Há...
Minha vida é dor. Por isso nasci doente e meu coro resistiu a tudo... impertinente desisti da vida que me deixava atônito. Sou o vulgo, sou Marrat, com a faca na banheira, sou um escravo das algemas, que digeririam no cinema, minha total iluminação. Sou o teatro e depois a vida que se faz nos poemas. Não navego em estado de brilho,mas prefiro roubar com uma olhada de esgrima o que fere o duplo além da esgrima...
Enigmas que vestem enigmas,
E nosso calor os une além das vestes.
Por isso poema. E o mito que não minto.
Minha visão de olhos que esbugalho é consoante um orvalho
que nasce sem falar.
Eu, Antonin Artaud, vago entre meus escombros... e aí vai... mais o choque me desestimula.... Mas meu amigo, psiquiatra longínquo e próximo, me diz: escreva, escreva, escreva, até sentir que o que era força para acender lâmpadas , me queime a tromba d elefantas. E depois eu reenviarei para ele, meu amigo/inimigo, uma garrafa no mar minha mensagem; “Que todos nasçam sem erudição, mas sintam no corpo, que tudo persiste além de toda atitude a missão da mensagem”...
EU ARTAUD, EU QUE ARTEÚDEM, QUE TAÚSE DE DE NADA MAIS QUE UM TAÚDE. TÁ. U-DE
(TODOS)
NA ALTURA DE UMA NUVEM, SEU DUPLO É ALGO CEGO
QUE FAZ MINHAS MÃOS, UM CÃO, OU GATO QUE DORMIU NO CEMITÉRIO DOS ARTISTAS. CEMITÈRIO. HOSPÍCIO. UM GATO MUITO LOCO, PARA SE FALAR. Além do que o gato
Não para de mijar...
E livre de tudo; eu mijo. Fecundando o mundo...ao voar...
Art-Arturde
Depois
De-Depois
De tudo
Dúplo
E seu du-du-plo
vi-lento
na flor
que via le- le- nto
Não, caro cavalheiro,
Quero que Deus, este depois de Zeus, vá à merda!
Que escondamos o nossos rostos das cavalgadas dos mares insanos.
Depois que tudo, proposto, cubramos o seu rosto com ares. Com os ares destes corpos em guanos... E que vocês que a criaram vão à guerra desamar!
Quem fugiu? Eu não, abri a respiração para entoar canção nenhuma. Canção esta que vá achar uma música à existência de plantão...
Eu, nós somos o duplo de Artaud. Não confundam o duplo com o manejo da carta que dá seu retorno, mas
O mar que com suas águas regadas. Cagadas.
Faço fogo.
Eu lhes digo, sou e não sou. Estou no tempo de colher. Abandonado, nasci em meio ao que dizem. Vivi o que disse. Morrerei com sapatos em minhas mãos.
Quero andar. Não refletir,as entranhas ao lodo.Sentir os pregos de Jesus no ar. E depois me ritualizar em uma congregação de sangue, senti-me mais natural que um velho índio, ou uma esfinge que fingindo deu a Édipo um pepino a mais para fazer soar sua salada de pepinos....
Eu sou o Antonin Artaud! Que me neguem, quer me sigam, quer me quebrem posso neutralizar as porradas quando fui com minha bengala de Sait Patric, na Irlanda. O policia me bateu e eu o arrebentei suas nádegas com um bom chute.
Encomendas dos breves e ser, antes de mais nada. Palavra. Ser. Breve semínima no lugar de você! Mais hospício para me reencontrar. Me esquecer, me renaufragar...
Do ovo mágico, constante em ternos brancos. Outra.... vez.... o choque, elétrico no cérebro...:
Meus ouvido esquerdo não ouvindo
O direito a roubar o sono incentivo dos vivos.
Eu mais vivo ou menos morto confluo o brilho de minhas pernas. E os brancos desses que me abominam confluem para outros o meu globo.
Sou Artaud. Em face disso inauguro meu ar de mares e de centopéias, do que aprendi com velhos índios novos os Tamahuaras. Depois a fome de uma Europa que me viu ao léu e me fez célebre.
( que adianta ser celebridades e me confiscaram a paz de escrever nove mil linhas e um dia que jamais nascia?)
Hoje como duas vezes ao dia.
O teatro é um peso em minhas pernas de vigas sólidas ao vento. O coração é a palpitação do meu duplo. Poemas que vem, poemas que vão. Anuncio que o teatro será muito
à mis amici que esta visão de piolhos que um infestam a cabeça do moço.
A moça que de antemão colore os poemas serão meus irmãos...
Sou Artaud, e me escondo das palavras.
Nada dizem , no meu teatro de crueldade o que retornam na sombras do duplo: são coisas. Não a voz ímpia que derrubava nações. São a voz dos cometas que não assassinam com arte. Músicas da minha voz algo fátuo,
Que se tornaram culpas. Desculpas de quem não prossegue.. Alvoroço dos atores que tingiram de ocres antes de sua invenção. São os atores que vivem o duplo de nascer e, ora tortos, ora morrendo na peste, ora cobrindo os olhos com lápis - lazuli, verde e vermelho. Somos nós que vivemos ainda mais do que viveram as personagens que morremos. E nascemos. E morremos, etc.
E o teatro será cruel a quem sabe que não existe crueldade maior do que
A realidade...
Rombos nos bancos de eminha memória alheio às vozes que escaparam em viver. Duplo, que me tragam as milícias da metafísica, na ordem em que são chamadas além da física. Na parada breve que alçamos ver, além, do ar que nos despimos. Basta ver as fuligens. E daí anoitecer na cremação dos corpos que não deixam perdão.
Meu teatro da crueldade permanece se queremos vivê – lo na foz
Do fogo
Que neutraliza o amanhecer de qualquer um.
O duplo. Não o sabeis?
São vocês que nada sabem. E, por isso, custam a nascer...
Quem não nascer de novo ao ver uma obra minha, custará entender o que a sombra disse para o coelho: Você terá nova amada, no canto correto, da idiotice armada, com seu prolífico cu no teto...
Hahahahahhahah, Sou Artaud, não ataúde. Revenho refamigerar o corno no ar.
Em uma postura nova, em nova atitude.
E depois de purificado, nunca amar. Eis aplenitude
E a solidão da minha estância circunavega os olhos, na proporção dos homens que em mim navegam.
Com fogo. Neste ar.
Este ar, que nasceu ontem do genial Vincent van Gog. Já falei muito meu irmão, van Gogh. Quero que você diga na arma que empunharam no seu corpo a bala, que não era bala de coco, ou de amendoim, e sim, de um calibre mais grosso que a tentação de pintar eu senti. O seu fim. Que é o começo. Meu irmão. Que não se despediu de mim...Que fixem os olhos na tua razão e depois movam –nos para a particular destruição... teus quadros dão à mão as razões de sentir de mais, de sentir de mais, meu vulcão em erupção...
Nãontonin ART....ART... tô, que venham os nebulosos cavalos sem asas, sem texto, meu irmão, minha irmã. Para configurar o peso de nascer e coabitar no Oriente do Ocidente, então.
Depois desenvolver com cordas nos pescoços o que é intermitente, o que é sóbrio, o que é novo, além do abandonou mil e umas formas de fornicar o sonho que é o duplo desse ar.
E navegar ondas de gente impressos em correntes neste duro mar.
Sou Artaud, e quero nada. Se fizessem o que lhes digo vocês que nos ouvem, divagariam mais minhas sobras. E teriam tempo em me financiar.
Artaud.
Art. Vin/nim/bagh/ há
Com ou sem pustra devecação
Incolor… Há...
Minha vida é dor. Por isso nasci doente e meu coro resistiu a tudo... impertinente desisti da vida que me deixava atônito. Sou o vulgo, sou Marrat, com a faca na banheira, sou um escravo das algemas, que digeririam no cinema, minha total iluminação. Sou o teatro e depois a vida que se faz nos poemas. Não navego em estado de brilho,mas prefiro roubar com uma olhada de esgrima o que fere o duplo além da esgrima...
Enigmas que vestem enigmas,
E nosso calor os une além das vestes.
Por isso poema. E o mito que não minto.
Minha visão de olhos que esbugalho é consoante um orvalho
que nasce sem falar.
Eu, Antonin Artaud, vago entre meus escombros... e aí vai... mais o choque me desestimula.... Mas meu amigo, psiquiatra longínquo e próximo, me diz: escreva, escreva, escreva, até sentir que o que era força para acender lâmpadas , me queime a tromba d elefantas. E depois eu reenviarei para ele, meu amigo/inimigo, uma garrafa no mar minha mensagem; “Que todos nasçam sem erudição, mas sintam no corpo, que tudo persiste além de toda atitude a missão da mensagem”...
EU ARTAUD, EU QUE ARTEÚDEM, QUE TAÚSE DE DE NADA MAIS QUE UM TAÚDE. TÁ. U-DE
(TODOS)
NA ALTURA DE UMA NUVEM, SEU DUPLO É ALGO CEGO
QUE FAZ MINHAS MÃOS, UM CÃO, OU GATO QUE DORMIU NO CEMITÉRIO DOS ARTISTAS. CEMITÈRIO. HOSPÍCIO. UM GATO MUITO LOCO, PARA SE FALAR. Além do que o gato
Não para de mijar...
E livre de tudo; eu mijo. Fecundando o mundo...ao voar...
terça-feira, 12 de maio de 2009
JUDAS
"Há caminhos que parecem
certos ao homem,
mas ao final dão em caminhos de morte"
Provérbios
“Qual, Judas?”
“Aquele a quem eu beijar, combinado?”
“Sim. Guardas, espero que o prendam com esforços triplicados. Os discípulos dele são onze. Capitão, tudo certo?”
“Sim, meu senhor, espero que eles não se façam de difícil, estamos armados até os dentes.”
Eu lhes disse que a violência não seria necessário, pelo fato de que eles não passavam de pescadores e nunca iriam concorrer com violências.
A noite estava sumamente agradável. A lua nascendo brilhava tornando a paisagem aconchegante. As plantas do Monte das Oliveiras estavam frescas depois do sol calcinar as suas cores. Tudo transparecia que o meu plano era perfeito. O rio Cedron corria como sempre retratando uma superfície calma e aconchegante nas suas águas.
Jesus não teria falado abertamente que seria preso, senão os discípulos iriam tornar tudo um erro. Mas sei que ele sabia, por isso tinha me dado o sinal, o bocado de pão embebido no molho para que eu saísse. Fora um sinal tácito e com muita felicidade. Não bastaria isso e eu o entregaria com um beijo aos sacerdotes que eu odiava e ainda à guarda que esperava há muito que eu o fizesse o que fiz.
“Salve, Mestre!”
“Judas, com um beijo traís o Filho do Homem?!”
Com aquele grito todos acordaram. O Mestre continuou negociando que os outros pudessem ir sem problemas. Eu disse aos guardas que não era necessário prender os outros. Lá eu vi todos os meus ex – colegas. Lá estava o prepotente Pedro. O flácido João, os outros que estavam meio baquiados pela noite e pela cena estranha, que cedo ou tarde iria acontecer.
Agarram- no e o levaram embora enquanto todos corriam cada qual para um lado. Com medo. Muito medo.
“Judas aqui está o seu prêmio”
“O que é isso? Trinta moedas de prata?”
“Sim, meu amigo, trinta moedas de prata que equivalem ao preço de um escravo. Dá direito a um campo nos arredores de Jerusalém. O Campo de Sangue”
Quando o sacerdote me deu a paga pela traição aquilo não fazia sentido. Jesus estava algumas horas dentro do pátio e eu recebia o equivalente à minha traição. Náuseas eu uma vontade de explodir.
Percebi com clareza o que correspondia aquele dinheiro. Da traição. Eles iriam matar Jesus.
“Mas vocês não poderão matar o Homem.”
“Se ele tem poderes ele que se salve. Quanto a você meu amigo está quite conosco. O processo começou estamos aguardando somente a hora precisa de ir conversar com o magistrado romano...”
Ele dava risadas ululantes, parecia um demônio que queria rir à toa e não parava de mostrar os dentes que pareciam pequenos crânios pedindo para que se fechasse a boca.
A última coisa que ouvi é que ele se despedia com um adeus. E muitas risadas.
A náusea transformou- se em uma jato de vômito e me fez correr para um lado. O sacerdote me seguiu e assim eu joguei o dinheiro que me custava o sangue de um inocente. Joguei as moedas, o saco de moedas ao pé do sacerdote que me olhou estupefato. Parece que me disse se eu iria não querer as moedinhas. Fugi dali para nunca mais voltar.
***
O caminho era um imenso cortejo fúnebre. As arvores estavam me acordando para uma realidade de pânico. As copas das árvores estavam me espiando como a um defunto. Parecia que os seus galhos me apontavam coisas. E o céu de estrelas cadentes pareciam milhares de voltas ou nós que perfaziam os signos do zodíaco.
Mas eu nunca havia parado para pensar que eu fora um dos escolhidos pelo Mestre. Eu e os onze outros. Ele sempre dizia de um novo mundo e de um lugar aonde nós reinaríamos. Os dois irmãos Tiago e João queriam porque queriam reinar cada um ao lado do outro do Mestre. Era um novo Reino... E lá deveria ter um financista que era... – eu! não tinha pensado nisso: havia um lugar para mim no tal Reino. Tinha capacidade administrativa, sempre tive. Tino para comércio e para as finanças, que não poderia demonstrar simplesmente com as querelas das porções da bolsinha que eu carregava.
Deitei na grama mal cuidada e não notei que ela estava forrada de estrume de vaca fresca. Não notei e não faria diferença mais. Parecia que me perfumava de outro perfume que não o da traição.
Ao longe notei que havia luzes. Era um taverna que lançava uma luz bruxuleante. Eu tinha que esquecer tudo aquilo, toda a infelicidade do mundo. Estava com dor de cabeça. Precisava tomar algo para tentar esquecer. Esquecer de mim. De tudo. Molhar os lábios do gosto de um beijo que não saía da cabeça e do paladar.
E além de tudo precisava de uma corda, para me enforcar
Entrei pela porta e vacilante vi um homem gordo que parecia um tal Eglon que vinha do Antigo Testamento. Era gordo e falava rápido. Pedi e me deu uma caneca de vinho. Assim me repeti quatro vezes e ele já não me olhava com complacência e sim com certa desconfiança. Não sabia do porquê, assim que pus a mão no alforje... e não tinha qualquer dinheiro.
“Tudo bem, meu amigo... Judas, não?”
Nada de vacilos qualquer coisa que eu transparecesse poderia fazê- lo ficar provocativamente nervoso.
Eu já não poderia fazer algo mais do que dizer com a cara que eu tinha. Queria sim uma longa corda para me enforcar . Isso veio substituir a dor de cabeça inoportuna e inconformada. Veio abrir para uma solução que não pedia para que se fechasse e sim que me amarrasse no pescoço e sairia por outro lado sem mais problemas.
Assim imerso nesses pensamentos vi que outra gorda estava junto com sua companheira me olhando fixamente. O taverneiro gordo logo sentiu que eu não queria apenas vinho mas também algo mais. O que eu queria mesmo era as roupas das gordas para fugir e me enforcar.
Sem mais qualquer insinuação o plano deveria ser bom. Ele pegou no meu braço e nos levou para o pavimento superior da taverna, subindo por uma escadinha, onde se arranjava uma sala suja e fedorenta, onde as gordas me acompanhando me apertavam sem que eu pudesse esboçar qualquer sinal de conclusão para meu plano de roubar as suas roupas. E me beijaram com suas bocas fedorentas e cheias de dentinhos sem cor, ou melhor, com a cor negra que contrabalançavam com a cor geral da minha vida até ali. Que diferença com o beijo que dera no Mestre e no beijo que dei em várias criancinhas que o Mestre falava serem delas o Reino dos Céus. Beijo de tâmaras e coentro, com o perfume da carne nova que era a um só tempo fresca e tépida ...
***
“Olha, acordou.”
“Finalmente, agora que se divertiu tem que nos pagar. Como vai ser, querido, vai nos pagar agora?”
Eu mal puder me conter em dizer algo e a gorda mais gorda das duas foi logo dando uma chave de braço. A outra a mais sorridente me cuspiu e me deu um soco na altura do estômago.
“Ah, não vai pagar, não.. vamos ver o que acontecerá. Vai lá Oaaliba, vai chamar o Elon, o queridinho aqui não tem com que nos pagar.”
“Pode deixar Aoobá, ele vai se virar...”
“O que está acontecendo aqui suas putas de uma figa?”
“Ë que ele não quer nos pagar por ter nos feito dado prazer a ele.”
“Não quer pagar ou não tem com que pagar?”
Uma olhou para a outra. Confessaram que ele não tinha com o que pagar.
“Se é assim, não se preocupe, amigo, sei o que você vai fazer para saldar a dívida.” Assim despediu as duas prostitutas dando um chute em uma, enquanto a outra saia correndo. O chefe era ele. Eu estava na sua mão.
Eu tive que limpar com muita persistência o buraco do banheiro. Tive que emporcalhar, me ajoelhar e rezar a Deus por tudo e por nada. Tive que reesfregar o piso imundo daquele lugar e quando tudo estivesse deveria de falar com o gordo com risada de hiena e dentes afiados, o Elon.
“Que tal amigo, quer mais alguma coisa. No que eu posso lhe servir?” Ele ria de cada palavra que morria dentre meus lábios. Por fim berrei:
“Quero uma corda, pelo amor de Deus!”
Quando eu disse a menção de Deus o rosto rombudo e careca do taverneiro mudou. Ele disse para deixar Deus longe de tudo aquilo que estava acontecendo comigo. Deu- me dois chutes nas nádegas, que me lançou lá fora da taberna; e me disse:
“Deus não tem nada ver com o que está acontecendo; ora se você queria beber e ir com as gordas o problema é seu, não dele. Deixe- o em paz; que tal?”
“Elon, me dê uma corda, uma cordinha, qualquer uma, de qualquer tamanho. Eu até lavo com a língua sua latrina. Faço com que você aumente suas vendas em 30%...”
Um homem, amigo de Elon começou a dar risada. Tinha uma longa barba e bigodes bem cuidados. Ele riu muito quando eu disse aquilo. Disse algo ao ouvido do taberneiro. Que logo assentiu com a cabeça...
...outra vez para a salinha de torturas sexuais. Agora com o homem de barbas bem feitas...
Elon se despediu de mim com um chute na minha traseira. Estava como que hipnotizado com a malevolência do mundo. Não queria mais viver e a dor nas nádegas era algo de insuportável. Fui embora para nunca mais voltar.
O caminho a seguir era o do caminho logo a frente. Eu andava cambaleando
de um lado para outro parecia que o pesadelo não tinha mais fim. Estava exausto, a madrugada já andava perto. Logo eu que queria ter filhos e uma boa esposa para ser um homem completo. Comecei a chorar com desenvoltura e logo ajoelhei no chão de pedrinhas afiadas, me machucando os joelhos; mas o choro foi interrompido pelo brilho em uma janela a poucos metros . Era minha chance em me redimir em parte em que eu pusesse morrer enforcado numa das extremidades de uma corda.
Bati três vezes na porta quem me abriu foi uma senhora baixinha. Parecia bem feliz.
“O que o senhor quer a essa hora da noite? ”
“Uma corda pelo amor... pelos céus. Pode me dar uma? “
“Qual o seu nome, sr? Para que eu dê- lhe uma corda?”
O primeiro nome que me veio a mente foi a de Pedro. Não quis dizer o meu nome com receio de algo...Estranho: sempre o meu nome o mais bonito, agora que precisava dizer não consegui pronunciá-lo...
“Pedro, senhora, Pedro...”
“Sabe senhor Pedro amanhã serão casamento do meu filho Abrão com uma menina que foi ressuscitada por um profeta que veio da Galiléia, de nome Jesus. Estive preparando, com minha irmã, as vestes com que irá se casar com a bela Tina, filha do sacerdote da sinagoga. O senhor está convidado também, ouviu?
“... uma corda por favor...”
“O senhor quer uma corda, senhor Pedro... deixe –me ver não temos nenhuma corda, mas, há, tenho por sorte dois cintos de tamanho grande ... um eu dou para o senhor, não precisaremos de dois. Vou lhe dar o mais bonito!”
“Obrigado senhora.”
“Não há de quê, mas se permite vou dar uma benção em seu nome e de seus problemas, que Deus perdoe os seus pecados, tanto faz qual sejam eles. Vá em paz senhor Pedro, vá em paz, vá em paz!...”
Logo a seguir o galo cantou. E cantou outra vez.
E eu fui para nunca mais voltar.
No monte de frente a Jerusalém, encontrei uma árvore no meio daquela noite para mim. Tudo o que fizera fora porque pensei que minha lógica era suficiente para que Mestre Jesus se mostrasse que era quem de fato muitos queriam, que ele fosse: o Rei em Israel.
Nada disso. Tudo por água abaixo.
A árvore que eu estava pensando ratificar o meu fim foi a árvore do penhasco. Pisei em alguns ovos, não sei se de pássaros ou de serpentes... pareciam a coisa mais firme que eu já fizera. E no mais não tinha do que reclamar. Pus a volta da corda no meu pescoço, depois de amarrar bem atada num dos galhos, saltei apara o infinito.
Não foi nem dessa vez. Não tive sorte e o galho se rompeu, e eu rolei para baixo, no abismo...
“Pedro, esta noite foi longa e difícil, não?”
“Diria terrível... olha à distância, parece um corpo, não é João?
“Sempre por aqui nesta parte de Jerusalém aparecem corpos fruto de suicídio. Esse infeliz deve ser outro para a qual a esperança acabou...”
“E a nossa esperança, de ver o Mestre livre será que ocorrerá? “
“Não sei, João... Mas sei por algo dentro de mim que as coisas não aconteceram para tudo terminar num pátio romano, ou no monte da caveira numa crucifixão...
“Como assim?... mas olha o corpo está sendo devorado por cães. Deveria ser muito rico olha o cinto que está em torno do pescoço, parece de ouro batido... mas olhe, Pedro, este sorriso. O sorriso do infeliz...”
“ É Judas!!...”
certos ao homem,
mas ao final dão em caminhos de morte"
Provérbios
“Qual, Judas?”
“Aquele a quem eu beijar, combinado?”
“Sim. Guardas, espero que o prendam com esforços triplicados. Os discípulos dele são onze. Capitão, tudo certo?”
“Sim, meu senhor, espero que eles não se façam de difícil, estamos armados até os dentes.”
Eu lhes disse que a violência não seria necessário, pelo fato de que eles não passavam de pescadores e nunca iriam concorrer com violências.
A noite estava sumamente agradável. A lua nascendo brilhava tornando a paisagem aconchegante. As plantas do Monte das Oliveiras estavam frescas depois do sol calcinar as suas cores. Tudo transparecia que o meu plano era perfeito. O rio Cedron corria como sempre retratando uma superfície calma e aconchegante nas suas águas.
Jesus não teria falado abertamente que seria preso, senão os discípulos iriam tornar tudo um erro. Mas sei que ele sabia, por isso tinha me dado o sinal, o bocado de pão embebido no molho para que eu saísse. Fora um sinal tácito e com muita felicidade. Não bastaria isso e eu o entregaria com um beijo aos sacerdotes que eu odiava e ainda à guarda que esperava há muito que eu o fizesse o que fiz.
“Salve, Mestre!”
“Judas, com um beijo traís o Filho do Homem?!”
Com aquele grito todos acordaram. O Mestre continuou negociando que os outros pudessem ir sem problemas. Eu disse aos guardas que não era necessário prender os outros. Lá eu vi todos os meus ex – colegas. Lá estava o prepotente Pedro. O flácido João, os outros que estavam meio baquiados pela noite e pela cena estranha, que cedo ou tarde iria acontecer.
Agarram- no e o levaram embora enquanto todos corriam cada qual para um lado. Com medo. Muito medo.
“Judas aqui está o seu prêmio”
“O que é isso? Trinta moedas de prata?”
“Sim, meu amigo, trinta moedas de prata que equivalem ao preço de um escravo. Dá direito a um campo nos arredores de Jerusalém. O Campo de Sangue”
Quando o sacerdote me deu a paga pela traição aquilo não fazia sentido. Jesus estava algumas horas dentro do pátio e eu recebia o equivalente à minha traição. Náuseas eu uma vontade de explodir.
Percebi com clareza o que correspondia aquele dinheiro. Da traição. Eles iriam matar Jesus.
“Mas vocês não poderão matar o Homem.”
“Se ele tem poderes ele que se salve. Quanto a você meu amigo está quite conosco. O processo começou estamos aguardando somente a hora precisa de ir conversar com o magistrado romano...”
Ele dava risadas ululantes, parecia um demônio que queria rir à toa e não parava de mostrar os dentes que pareciam pequenos crânios pedindo para que se fechasse a boca.
A última coisa que ouvi é que ele se despedia com um adeus. E muitas risadas.
A náusea transformou- se em uma jato de vômito e me fez correr para um lado. O sacerdote me seguiu e assim eu joguei o dinheiro que me custava o sangue de um inocente. Joguei as moedas, o saco de moedas ao pé do sacerdote que me olhou estupefato. Parece que me disse se eu iria não querer as moedinhas. Fugi dali para nunca mais voltar.
***
O caminho era um imenso cortejo fúnebre. As arvores estavam me acordando para uma realidade de pânico. As copas das árvores estavam me espiando como a um defunto. Parecia que os seus galhos me apontavam coisas. E o céu de estrelas cadentes pareciam milhares de voltas ou nós que perfaziam os signos do zodíaco.
Mas eu nunca havia parado para pensar que eu fora um dos escolhidos pelo Mestre. Eu e os onze outros. Ele sempre dizia de um novo mundo e de um lugar aonde nós reinaríamos. Os dois irmãos Tiago e João queriam porque queriam reinar cada um ao lado do outro do Mestre. Era um novo Reino... E lá deveria ter um financista que era... – eu! não tinha pensado nisso: havia um lugar para mim no tal Reino. Tinha capacidade administrativa, sempre tive. Tino para comércio e para as finanças, que não poderia demonstrar simplesmente com as querelas das porções da bolsinha que eu carregava.
Deitei na grama mal cuidada e não notei que ela estava forrada de estrume de vaca fresca. Não notei e não faria diferença mais. Parecia que me perfumava de outro perfume que não o da traição.
Ao longe notei que havia luzes. Era um taverna que lançava uma luz bruxuleante. Eu tinha que esquecer tudo aquilo, toda a infelicidade do mundo. Estava com dor de cabeça. Precisava tomar algo para tentar esquecer. Esquecer de mim. De tudo. Molhar os lábios do gosto de um beijo que não saía da cabeça e do paladar.
E além de tudo precisava de uma corda, para me enforcar
Entrei pela porta e vacilante vi um homem gordo que parecia um tal Eglon que vinha do Antigo Testamento. Era gordo e falava rápido. Pedi e me deu uma caneca de vinho. Assim me repeti quatro vezes e ele já não me olhava com complacência e sim com certa desconfiança. Não sabia do porquê, assim que pus a mão no alforje... e não tinha qualquer dinheiro.
“Tudo bem, meu amigo... Judas, não?”
Nada de vacilos qualquer coisa que eu transparecesse poderia fazê- lo ficar provocativamente nervoso.
Eu já não poderia fazer algo mais do que dizer com a cara que eu tinha. Queria sim uma longa corda para me enforcar . Isso veio substituir a dor de cabeça inoportuna e inconformada. Veio abrir para uma solução que não pedia para que se fechasse e sim que me amarrasse no pescoço e sairia por outro lado sem mais problemas.
Assim imerso nesses pensamentos vi que outra gorda estava junto com sua companheira me olhando fixamente. O taverneiro gordo logo sentiu que eu não queria apenas vinho mas também algo mais. O que eu queria mesmo era as roupas das gordas para fugir e me enforcar.
Sem mais qualquer insinuação o plano deveria ser bom. Ele pegou no meu braço e nos levou para o pavimento superior da taverna, subindo por uma escadinha, onde se arranjava uma sala suja e fedorenta, onde as gordas me acompanhando me apertavam sem que eu pudesse esboçar qualquer sinal de conclusão para meu plano de roubar as suas roupas. E me beijaram com suas bocas fedorentas e cheias de dentinhos sem cor, ou melhor, com a cor negra que contrabalançavam com a cor geral da minha vida até ali. Que diferença com o beijo que dera no Mestre e no beijo que dei em várias criancinhas que o Mestre falava serem delas o Reino dos Céus. Beijo de tâmaras e coentro, com o perfume da carne nova que era a um só tempo fresca e tépida ...
***
“Olha, acordou.”
“Finalmente, agora que se divertiu tem que nos pagar. Como vai ser, querido, vai nos pagar agora?”
Eu mal puder me conter em dizer algo e a gorda mais gorda das duas foi logo dando uma chave de braço. A outra a mais sorridente me cuspiu e me deu um soco na altura do estômago.
“Ah, não vai pagar, não.. vamos ver o que acontecerá. Vai lá Oaaliba, vai chamar o Elon, o queridinho aqui não tem com que nos pagar.”
“Pode deixar Aoobá, ele vai se virar...”
“O que está acontecendo aqui suas putas de uma figa?”
“Ë que ele não quer nos pagar por ter nos feito dado prazer a ele.”
“Não quer pagar ou não tem com que pagar?”
Uma olhou para a outra. Confessaram que ele não tinha com o que pagar.
“Se é assim, não se preocupe, amigo, sei o que você vai fazer para saldar a dívida.” Assim despediu as duas prostitutas dando um chute em uma, enquanto a outra saia correndo. O chefe era ele. Eu estava na sua mão.
Eu tive que limpar com muita persistência o buraco do banheiro. Tive que emporcalhar, me ajoelhar e rezar a Deus por tudo e por nada. Tive que reesfregar o piso imundo daquele lugar e quando tudo estivesse deveria de falar com o gordo com risada de hiena e dentes afiados, o Elon.
“Que tal amigo, quer mais alguma coisa. No que eu posso lhe servir?” Ele ria de cada palavra que morria dentre meus lábios. Por fim berrei:
“Quero uma corda, pelo amor de Deus!”
Quando eu disse a menção de Deus o rosto rombudo e careca do taverneiro mudou. Ele disse para deixar Deus longe de tudo aquilo que estava acontecendo comigo. Deu- me dois chutes nas nádegas, que me lançou lá fora da taberna; e me disse:
“Deus não tem nada ver com o que está acontecendo; ora se você queria beber e ir com as gordas o problema é seu, não dele. Deixe- o em paz; que tal?”
“Elon, me dê uma corda, uma cordinha, qualquer uma, de qualquer tamanho. Eu até lavo com a língua sua latrina. Faço com que você aumente suas vendas em 30%...”
Um homem, amigo de Elon começou a dar risada. Tinha uma longa barba e bigodes bem cuidados. Ele riu muito quando eu disse aquilo. Disse algo ao ouvido do taberneiro. Que logo assentiu com a cabeça...
...outra vez para a salinha de torturas sexuais. Agora com o homem de barbas bem feitas...
Elon se despediu de mim com um chute na minha traseira. Estava como que hipnotizado com a malevolência do mundo. Não queria mais viver e a dor nas nádegas era algo de insuportável. Fui embora para nunca mais voltar.
O caminho a seguir era o do caminho logo a frente. Eu andava cambaleando
de um lado para outro parecia que o pesadelo não tinha mais fim. Estava exausto, a madrugada já andava perto. Logo eu que queria ter filhos e uma boa esposa para ser um homem completo. Comecei a chorar com desenvoltura e logo ajoelhei no chão de pedrinhas afiadas, me machucando os joelhos; mas o choro foi interrompido pelo brilho em uma janela a poucos metros . Era minha chance em me redimir em parte em que eu pusesse morrer enforcado numa das extremidades de uma corda.
Bati três vezes na porta quem me abriu foi uma senhora baixinha. Parecia bem feliz.
“O que o senhor quer a essa hora da noite? ”
“Uma corda pelo amor... pelos céus. Pode me dar uma? “
“Qual o seu nome, sr? Para que eu dê- lhe uma corda?”
O primeiro nome que me veio a mente foi a de Pedro. Não quis dizer o meu nome com receio de algo...Estranho: sempre o meu nome o mais bonito, agora que precisava dizer não consegui pronunciá-lo...
“Pedro, senhora, Pedro...”
“Sabe senhor Pedro amanhã serão casamento do meu filho Abrão com uma menina que foi ressuscitada por um profeta que veio da Galiléia, de nome Jesus. Estive preparando, com minha irmã, as vestes com que irá se casar com a bela Tina, filha do sacerdote da sinagoga. O senhor está convidado também, ouviu?
“... uma corda por favor...”
“O senhor quer uma corda, senhor Pedro... deixe –me ver não temos nenhuma corda, mas, há, tenho por sorte dois cintos de tamanho grande ... um eu dou para o senhor, não precisaremos de dois. Vou lhe dar o mais bonito!”
“Obrigado senhora.”
“Não há de quê, mas se permite vou dar uma benção em seu nome e de seus problemas, que Deus perdoe os seus pecados, tanto faz qual sejam eles. Vá em paz senhor Pedro, vá em paz, vá em paz!...”
Logo a seguir o galo cantou. E cantou outra vez.
E eu fui para nunca mais voltar.
No monte de frente a Jerusalém, encontrei uma árvore no meio daquela noite para mim. Tudo o que fizera fora porque pensei que minha lógica era suficiente para que Mestre Jesus se mostrasse que era quem de fato muitos queriam, que ele fosse: o Rei em Israel.
Nada disso. Tudo por água abaixo.
A árvore que eu estava pensando ratificar o meu fim foi a árvore do penhasco. Pisei em alguns ovos, não sei se de pássaros ou de serpentes... pareciam a coisa mais firme que eu já fizera. E no mais não tinha do que reclamar. Pus a volta da corda no meu pescoço, depois de amarrar bem atada num dos galhos, saltei apara o infinito.
Não foi nem dessa vez. Não tive sorte e o galho se rompeu, e eu rolei para baixo, no abismo...
“Pedro, esta noite foi longa e difícil, não?”
“Diria terrível... olha à distância, parece um corpo, não é João?
“Sempre por aqui nesta parte de Jerusalém aparecem corpos fruto de suicídio. Esse infeliz deve ser outro para a qual a esperança acabou...”
“E a nossa esperança, de ver o Mestre livre será que ocorrerá? “
“Não sei, João... Mas sei por algo dentro de mim que as coisas não aconteceram para tudo terminar num pátio romano, ou no monte da caveira numa crucifixão...
“Como assim?... mas olha o corpo está sendo devorado por cães. Deveria ser muito rico olha o cinto que está em torno do pescoço, parece de ouro batido... mas olhe, Pedro, este sorriso. O sorriso do infeliz...”
“ É Judas!!...”
terça-feira, 5 de maio de 2009
METÁFORAS DE DENTRO UMA PESQUISA DE SABER QUE TUDO REINA DEVAGAR NO OCIDENTE OU ORIENTE DE CADA POETA
Penso quando escrevo que a metáfora mete fora todos os medos. O sensível vem. Reinvindicar uma estrutura que quero contar, ou cantar. Depois a correção. Depois os maneios da razão vem alicerçar o poema.
Ele liberta-se como um cão com fome. Somos atores, mais ou menos. Somos todos leitores de nós mesmos… Pássaros que dialogam com bocas que falam. Um ouvido na multidão escuta. A intolerável solidão do grau- zero da escrita.
É natural para mim o versejamento. O transbordamento do uso da palavra nem atende a precisão de um vocábulo. Absurdo, comento, a meu ver, que as pessoas levem para casa livros. E os livros levem para o espaço as cobertas, urnas mortuárias de outros. Estes outros os poetas que fizeram palavras mais belas (como nos aponta Drummond) e iludindo chegam sem corpos ao zênite…
Tive a nítida confiança quando estudei Baudelaire e sua pluripenetração entre os sentidos. O olho que ouve, a pele que mira. O ouvido gosta de provar, a boca permanece assim presa à liberdade de esperar a hora de tocar. Não acordeões, mas a pele de uma criança, de um cipreste, de uma lembrança.
Me desempenha ainda um papel interessante o poeta Carlos Pessoa Rosa, ao me avistar e bisbilhotar meus poemas, quando ele me disse que precisava de uma visão global, de uma atitude de construtor. Não do engenheiro de João Cabral- que deveria ser mais arquiteto que o empilhador de tijolos. Uma atuação que devia desaguar no oceano da precisão das palavras. Fi - lo. Porque deveria e era oportuno. A concepção da obra como construção amoldada pelo pouco de loucura que tínhamos em mente e que agora se transfigura em arte.
A arte de poetar refere-se a uma louca escapada pelos tendões do mundo que não cansa de ser cruel. De ser visceral. Quem me acompanha na lida de presenciar o louco órfico homem que repete trinta vezes que “a mosca não é elefante, mas mato – a, e é interessante….”. Imaginaram se poesia e loucura fossem antípodas. Só a conta bancária sussurrada pelo bancário faria a música necessária para os custos da chuva…
Rilke e seus anjos- gostava disso, até que matei um com uma pedrada na auréola. Depois desisti, porque me falavam que eles, anjos, eram a o espírito das pedras. Eles que tanto me pescaram, desigual, que me penetraram nos pensamentos e me fizeram ver coisas cujas asas não cansavam de mostrar.
Estou disposto em rever a estrutura das palavras naquilo que liberta de enxurrada de procustos. Amoldando a visão do mundo na forma suscetível de ser contramão.
As imagens- não preciso falar muito da minha satisfação em tê - las na algibeira. Peco se minto que não são verdadeiras. Mais que as verdades. O dedo do pintor, desenhista consegue vislumbrá – las do chão, onde nascem. Germinação de prosódias e legumes, lentos em todo o caso? Como com gosto: frutas frescas.
Manuel de Barros e as coisas que são tão ínfimas que se miram de microscópios translúcidos. É verdade que se atiram pérolas aos porcos. Não se conta que comemos os porcos, depois. Em salaminhos de pequenos poetas que sabem o que resolvem. Senão nascerão outra vez poetas, e outra vez poetas, e outr…
Ele liberta-se como um cão com fome. Somos atores, mais ou menos. Somos todos leitores de nós mesmos… Pássaros que dialogam com bocas que falam. Um ouvido na multidão escuta. A intolerável solidão do grau- zero da escrita.
É natural para mim o versejamento. O transbordamento do uso da palavra nem atende a precisão de um vocábulo. Absurdo, comento, a meu ver, que as pessoas levem para casa livros. E os livros levem para o espaço as cobertas, urnas mortuárias de outros. Estes outros os poetas que fizeram palavras mais belas (como nos aponta Drummond) e iludindo chegam sem corpos ao zênite…
Tive a nítida confiança quando estudei Baudelaire e sua pluripenetração entre os sentidos. O olho que ouve, a pele que mira. O ouvido gosta de provar, a boca permanece assim presa à liberdade de esperar a hora de tocar. Não acordeões, mas a pele de uma criança, de um cipreste, de uma lembrança.
Me desempenha ainda um papel interessante o poeta Carlos Pessoa Rosa, ao me avistar e bisbilhotar meus poemas, quando ele me disse que precisava de uma visão global, de uma atitude de construtor. Não do engenheiro de João Cabral- que deveria ser mais arquiteto que o empilhador de tijolos. Uma atuação que devia desaguar no oceano da precisão das palavras. Fi - lo. Porque deveria e era oportuno. A concepção da obra como construção amoldada pelo pouco de loucura que tínhamos em mente e que agora se transfigura em arte.
A arte de poetar refere-se a uma louca escapada pelos tendões do mundo que não cansa de ser cruel. De ser visceral. Quem me acompanha na lida de presenciar o louco órfico homem que repete trinta vezes que “a mosca não é elefante, mas mato – a, e é interessante….”. Imaginaram se poesia e loucura fossem antípodas. Só a conta bancária sussurrada pelo bancário faria a música necessária para os custos da chuva…
Rilke e seus anjos- gostava disso, até que matei um com uma pedrada na auréola. Depois desisti, porque me falavam que eles, anjos, eram a o espírito das pedras. Eles que tanto me pescaram, desigual, que me penetraram nos pensamentos e me fizeram ver coisas cujas asas não cansavam de mostrar.
Estou disposto em rever a estrutura das palavras naquilo que liberta de enxurrada de procustos. Amoldando a visão do mundo na forma suscetível de ser contramão.
As imagens- não preciso falar muito da minha satisfação em tê - las na algibeira. Peco se minto que não são verdadeiras. Mais que as verdades. O dedo do pintor, desenhista consegue vislumbrá – las do chão, onde nascem. Germinação de prosódias e legumes, lentos em todo o caso? Como com gosto: frutas frescas.
Manuel de Barros e as coisas que são tão ínfimas que se miram de microscópios translúcidos. É verdade que se atiram pérolas aos porcos. Não se conta que comemos os porcos, depois. Em salaminhos de pequenos poetas que sabem o que resolvem. Senão nascerão outra vez poetas, e outra vez poetas, e outr…
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